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Economia circular na revenda de TI e impressão: onde está a margem

27 de outubro de 2026
Recondicionados, suprimentos, retirada do equipamento antigo e giro de estoque: um guia prático para transformar sustentabilidade em receita. Quando um cliente corporativo pede “algo mais sustentável”, muita revenda responde com um folder ou com um selo genérico. A conversa termina ali, e a venda vai para quem tinha uma proposta concreta. Economia circular, para a revenda, não é uma causa. É um conjunto de produtos e serviços que mantêm equipamentos em uso por mais tempo e evitam que estoque e ativos virem descarte antes da hora. Bem organizados, eles atendem o cliente e melhoram a margem. Este artigo mostra quatro frentes por onde começar.

Por que agora

Três movimentos de 2026 abriram espaço para essa conversa. O primeiro é o preço. A escassez de memória causada pela demanda dos data centers de inteligência artificial encareceu o hardware novo: o IDC projeta alta de 18,3% no preço médio de PC em 2026 e não espera alívio antes do fim de 2027. Quando o novo encarece, o equipamento revisado ganha espaço. O próprio mercado internacional já observa aumento da demanda por TI recondicionada por causa da crise de memória. O segundo é o cliente. Na pesquisa de 2025 da Quocirca com decisores de TI nos Estados Unidos e na Europa, 49% disseram que metas de sustentabilidade influenciam fortemente a escolha do fornecedor de impressão. Os critérios mais citados são eficiência energética, suprimentos e longevidade do equipamento — e cresceu a desconfiança de promessas ambientais sem comprovação. O terceiro é o volume. O Brasil gera cerca de 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano, segundo o Global E-waste Monitor, e a Política Nacional de Resíduos Sólidos inclui distribuidores e comerciantes entre os responsáveis pela logística reversa desses produtos.

Frente 1 — Equipamento de segunda vida

Equipamentos revisados vêm, em geral, de contratos encerrados ou de renovação de parque. Passam por revisão técnica, recebem os componentes necessários e voltam ao mercado com garantia. Para quem vender
  • Clientes que precisam de equipamento com prazo curto e orçamento apertado.
  • Pequenas e médias empresas que ampliam o parque e não precisam do modelo mais recente.
  • Filiais, pontos de apoio e áreas com volume de impressão moderado.
  • Clientes que pedem uma alternativa com menos descarte e querem comprovação simples, como a garantia e a origem do equipamento.
O que exigir antes de vender Origem do equipamento, revisão documentada, garantia clara e disponibilidade de suprimentos. Sem esses quatro pontos, a revenda assume um risco que não aparece na margem.

Frente 2 — Suprimentos: original, compatível e remanufaturado

Suprimentos são a parte mais recorrente da venda de impressão e onde o debate ambiental é mais confuso. Os estudos divergem. Um estudo britânico de 2008, encomendado pelo Centre for Remanufacturing and Reuse, apontou pegada de carbono 46% menor para o cartucho de toner remanufaturado em relação ao novo. Um levantamento mais recente, de 2024, fala em redução de até 32% por cartucho. Fabricantes, por sua vez, publicam estudos de ciclo de vida favoráveis ao cartucho original, considerando rendimento e número de ciclos. A conclusão prática para a revenda: não venda suprimento por um número de carbono que você não consegue sustentar diante do cliente. Venda pela adequação ao uso — volume, qualidade exigida, equipamento — e pela garantia. Para o cliente que pergunta sobre impacto, ofereça o que é verificável: devolução dos cartuchos vazios, programas de coleta dos fabricantes e o destino dado a eles.

Frente 3 — Retirar o equipamento antigo como serviço

Toda venda de equipamento novo gera uma pergunta no cliente: o que fazer com o antigo? Muitas empresas guardam equipamentos parados em depósito por anos por falta de resposta. Oferecer a retirada junto com a venda resolve um problema real do cliente e diferencia a proposta. O equipamento retirado pode seguir para revisão e segunda vida, quando ainda tem uso, ou para reciclagem por empresa especializada, quando não tem. Um cuidado: a regulamentação federal da logística reversa de eletroeletrônicos (Decreto 10.240/2020) trata de produtos de uso doméstico e exclui expressamente os produtos corporativos. Para equipamentos de empresas, a retirada é, antes de tudo, um serviço comercial — e deve ser feita com parceiros de destinação que emitam a documentação adequada.

Frente 4 — Giro: o desperdício que fica no estoque

Estoque parado é a forma menos visível de desperdício na revenda. Prende capital, ocupa espaço e, com a velocidade de troca de modelos, perde valor a cada mês. No limite, vira liquidação com prejuízo ou descarte. Portfólio enxuto, planejado com base no que de fato sai na sua carteira, é a frente circular mais rentável de todas: evita que o produto vire resíduo antes de ser vendido. É aqui que o planejamento de compra discutido na semana passada encontra a sustentabilidade.

Quando o cliente pedir “algo sustentável”

Três argumentos que a revenda consegue sustentar sem cair em greenwashing:
  1. Vida útil. “Este equipamento foi revisado e tem garantia. Ele continua em uso em vez de virar descarte.” Ou, no caso do novo: “este modelo tem durabilidade e disponibilidade de peças para X anos” — usando a informação do fabricante.
  2. Consumo de energia. “O consumo em operação e em repouso deste modelo, segundo a ficha técnica do fabricante, é este.” Número com fonte, não adjetivo.
  3. “Quando você trocar este equipamento, nós retiramos o antigo e damos o destino adequado.”
O que evitar: “100% sustentável”, “verde”, “neutro em carbono” ou qualquer afirmação que a revenda não consiga provar com documento.

Como a Lello apoia a revenda

Em 35 anos de distribuição, a Lello acompanhou vários ciclos de troca de tecnologia. O que aprendemos é que margem e eficiência andam juntas quando o portfólio é planejado e o equipamento é aproveitado até o fim da sua vida útil. Hoje isso se traduz em três apoios concretos: equipamentos revisados com selo de garantia Lello, disponibilizados semana a semana; portfólio multimarcas planejado para girar; e consultores que ajudam a montar a proposta para o cliente corporativo que pede sustentabilidade com comprovação. Economia circular na revenda não é discurso para cliente grande. São quatro frentes de negócio: vender segunda vida, vender suprimento com critério, retirar o equipamento antigo e não deixar o estoque virar resíduo. Cada uma delas resolve um problema do cliente e protege a margem da revenda. Quer ver a lista de equipamentos revisados disponíveis esta semana? Fale com seu consultor Lello.

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