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A IA encareceu o hardware. Como sua revenda deve planejar compra e portfólio até 2027

14 de outubro de 2026

Memória escassa, preço subindo e renovação de parque em curso: um guia de leitura de mercado para revendas de TI e impressão.

Se você compra tecnologia para revender, já percebeu: a cotação de notebook que valia por duas semanas agora vale por três dias. Configurações somem do catálogo. O mesmo modelo volta com menos memória pelo mesmo preço. E o cliente, que viu o preço antigo na internet, acha que a revenda está aproveitando a situação. Não está. O que está acontecendo tem causa conhecida, tem prazo estimado e, para quem se organiza, tem oportunidade. Este artigo explica o movimento e propõe cinco decisões para o 4º trimestre.

Por que o notebook ficou mais caro

A resposta curta é: inteligência artificial — não a que roda no notebook, mas a que roda nos data centers. Treinar e operar modelos de IA exige muita memória de alto desempenho. Os poucos fabricantes que produzem memória no mundo passaram a direcionar capacidade para esses chips, que dão mais margem e são vendidos em contratos longos com grandes provedores de nuvem. Sobra menos memória comum para notebooks, desktops e celulares, e o preço sobe. O IDC descreve esse movimento como uma realocação de capacidade, não como um pico passageiro. Em junho, a consultoria afirmou que a escassez de memória não deve ter alívio relevante antes do fim de 2027 e que os preços não devem voltar ao nível de 2025, mesmo quando a oferta crescer.

O que dizem os números

Três números ajudam a dimensionar o cenário:
  • +18,3% no preço médio de PC em 2026, segundo a projeção do IDC publicada em junho.
  • −11,3% nos embarques globais de PCs no ano, pela mesma projeção.
  • −20,1% nos embarques globais de PCs no 3º trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados preliminares do IDC divulgados em outubro (62,7 milhões de unidades).
A queda do 3º trimestre tem um componente de antecipação: muitos fabricantes e canais compraram no primeiro semestre para fugir dos reajustes, e isso tirou volume do segundo semestre. Mesmo assim, a leitura do IDC é de preços bem acima dos do ano passado. Na prática, menos unidades e preço mais alto significam que o mercado vai continuar movimentando dinheiro, mas com menos margem para erro de compra.

O efeito Brasil

No Brasil, há um fator a mais. A Resolução GECEX nº 852/2026, publicada no Diário Oficial em 5 de fevereiro, elevou o Imposto de Importação de componentes de informática. A memória RAM passou a ter alíquota de 12,6%, contra 0% a 6,5% antes; processadores passaram a 7,2%, contra 0% a 2%. Segundo o Ministério da Fazenda, o objetivo é proteger a produção local. A medida atinge componentes, não notebooks prontos. Mas quem fabrica ou monta no país sente o custo, e ele chega à tabela de preços em algum momento da cadeia.

Impressão tem outro movimento

Nem todo o portfólio da revenda está sob a mesma pressão. O mercado de impressoras e multifuncionais segue em queda no mundo — os embarques caíram 7,0% no 2º trimestre de 2026, para 17,2 milhões de unidades, segundo o IDC —, mas por razões diferentes: menos páginas impressas e troca de tecnologia, não falta de componente. Dois detalhes interessam à revenda brasileira. Primeiro, a América Latina voltou a crescer no 2º trimestre, puxada pela recuperação do laser e pela força do jato de tinta. Segundo, as impressoras com tanque de tinta continuam ganhando espaço sobre as de cartucho, em todos os mercados. Ou seja: enquanto o lado de PCs pede cautela com estoque e preço, o lado de impressão pede atenção ao mix certo dentro de uma categoria que se move.

A IA também pode trabalhar para a revenda

Até aqui, a IA apareceu como causa do problema. Ela também pode ser parte da solução dentro da própria revenda, com usos que já estão ao alcance de empresas de qualquer porte:
  • Previsão de demanda: cruzar histórico de vendas, sazonalidade e base instalada dos clientes para antecipar o que vai ser pedido nos próximos 60 dias.
  • Cotação mais rápida: montar propostas e comparar configurações em minutos, o que conta muito quando o cliente já chega com preço pesquisado.
  • Leitura de giro: identificar o que está parado no estoque antes que vire problema de caixa.
O ponto não é a ferramenta. É usar dados para decidir compra com mais antecedência — exatamente o que o cenário de 2026 e 2027 exige.

Cinco decisões para o 4º trimestre

  1. Antecipar as compras recorrentes
Os itens que você sabe que vai vender — reposição de clientes de contrato, renovações já conversadas — merecem compra planejada. Em mercado com preço subindo e oferta curta, quem compra no limite paga mais e às vezes não recebe.
  1. Revisar o mix por configuração
Com memória cara, a diferença de preço entre configurações aumentou. Vale olhar quais configurações saem mais rápido na sua base e concentrar estoque nelas, em vez de ter um pouco de tudo.
  1. Proteger os clientes que ainda usam Windows 10
Em 13 de outubro terminou o ano 1 do suporte estendido pago do Windows 10 para empresas. Clientes que ainda não migraram precisam escolher entre pagar mais um ano de suporte, com preço crescente, ou renovar as máquinas. Mapear essa base agora transforma uma obrigação do cliente em pipeline da revenda.
  1. Oferecer alternativas ao equipamento novo
Nem todo cliente precisa — ou pode — comprar a máquina nova mais cara. Equipamentos revisados e modelos de uso por assinatura são alternativas que mantêm o cliente atendido e a venda dentro da revenda.
  1. Combinar prazo e disponibilidade com o distribuidor
Em mercado curto, previsibilidade vale tanto quanto preço. Compartilhar com o distribuidor uma visão dos próximos 60 a 90 dias ajuda a garantir produto na hora certa e reduz a chance de perder venda por falta.

Como a Lello atua

Em 35 anos de distribuição, a Lello passou por outros ciclos de falta e alta de preço. O que funcionou em todos eles foi o mesmo: planejar junto com a revenda, olhar o portfólio com antecedência e não depender de uma única marca ou configuração. Hoje, isso significa um portfólio multimarcas — de Kyocera, HP e Ricoh a Lenovo, Samsung e Acer — e um planejamento integrado em que compras, comercial, logística e financeiro decidem juntos o que os parceiros vão precisar nos próximos meses. A IA mudou o preço do que a revenda vende e deve continuar mudando até 2027. Não dá para controlar o mercado de memória. Dá para controlar quando comprar, o que ter em estoque e com quem planejar. No 4º trimestre, essas três decisões pesam mais que qualquer desconto. Vamos olhar juntos o mix do seu cliente para o 4º trimestre? Fale com seu consultor Lello!

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